sexta-feira, 1 de abril de 2011

Educação em Lavras no Século XIX

Na primeira metade do Século XVIII, a educação no Brasil esteve a cargo dos Jesuítas. Após sua expulsão, determinada pelo Marquês de Pombal, outras ordens religiosas assumiram as funções da instrução, com suporte da Coroa Portuguesa através do Subsídio Literário, imposto criado em 1772.

Em Lavras, o professor mais antigo que a História registra foi o padre Manoel Moreira Prudente, que lecionava desde 1783 e que em 1792 se torna o primeiro professor público primário do arraial, recebendo anualmente um salário de cento e cinqüenta mil réis advindos do cofre do Subsídio Literário.

No Século XIX, conta Márcio Salviano VILELA [2007] que em 1825 havia no arraial de Lavras do Funil duas escolas, com 22 alunos. Logo após a criação do município, um relatório de 1832 apresentado à Câmara Municipal registra que o padre Francisco d’Assis Braziel ministrava aulas do nível secundário nos cômodos da velha Matriz de Sant’Ana (atual Igreja do Rosário). Este sacerdote, apelidado como “Padre Tutu”, fora também o primeiro promotor público de Lavras. O relatório de 1832 cita ainda que na vila estudavam mais de sessenta alunos em três escolas particulares, dos professores Joaquim Ferreira da Silva, Cipriano Gomes da Cruz e Emereciana Maria de São José, respectivamente. Até o fim do Império, outras escolas públicas foram instaladas em Lavras, como o Colégio Mineiro (1851), dirigido pelo padre Flávio Ribeiro de Almeida, e a Associação Propagadora da Instrução (1873), mantida pela elite benemérita da época com o propósito de alfabetizar os meninos pobres, órfãos e até adultos. Em 1883, a Casa da Instrução era transformada no Externato Municipal, a primeira escola pública mantida pela Câmara Municipal, sob a regência do jovem professor Azarias Ribeiro de Souza (então com 24 anos), além das professoras Maria do Carmo Goulart Brum e Guilhermina Cassiana Brasileiro. Desta escola seria criado o Collégio Lavrense, em 1899, também pelo professor Azarias Ribeiro.

Além da alfabetização, a educação daquela época possuía forte matiz moral e religiosa, o que era muito criticado pelo Dr. Augusto Silva – este, antes de abraçar o Espiritismo, fazia de sua pena uma arma principalmente contra a Igreja Católica. Sobre a educação primária, o ilustre médico assim dizia: “O ensino primário é entre nós defficientissimo, notavelmente nos estabelecimentos publicos. Os alumnos sentam-se horas arrastadas em bancos duros, sem espaldar, e tão altos que os obrigam a bambear as pernas. N’esta postura, quaes brutinhos em galhos, elles se estafam a ler uma cartilha estupida, ou uma Historia Sagrada ainda mais estupida e immoral. (...) Finda a aula, dispersa-se a turba por onde quer. O mestre procura então a casa no bom e justo proposito de se desfadigar um poucachinho..... de haver dado ás crianças o edificante espectaculo da malandrice mais inqualificavel. Eis como entre nós se formam os futuros cidadãos” [O LAVRENSE, 14 set. 1887]. Interessante notar que, anos depois, o próprio Augusto Silva fora professor no Collégio Lavrense de Azarias Ribeiro, que incluía em seu corpo docente o pároco Francisco Malaquias, o monsenhor Aureliano Deodato Brasileiro, além de vários juízes e advogados de renome.

O Collégio Lavrense existiu até 1920, porém do Século XIX existem duas escolas lavrenses ainda em atividade: o Instituto Presbiteriano Gammon (1892) e o Colégio Nossa Senhora de Lourdes (1900).

As origens do primeiro remontam ao Colégio Internacional de Campinas, fundado por missionários presbiterianos no interior de São Paulo. Devido a um surto de febre amarela na região, o Dr. Samuel Gammon decidiu procurar um local mais propício em que pudesse se estabelecer, e foi assim que chegou em Lavras, nos finais de 1892. As aulas do então denominado Instituto Evangélico começaram em 1.º de fevereiro de 1893, com nove alunos. Quinze anos depois, o Instituto era formado por três estabelecimentos: o Ginásio de Lavras (o atual campus chácara), o Colégio Carlota Kemper (hoje o campus Kemper) e a Escola Agrícola (atualmente a Universidade Federal de Lavras).

A chegada dos presbiterianos foi vista com curiosidade pelos lavrenses. É verdade que no princípio houve certos embates entre católicos e evangélicos, mas nada permanente. Entrementes, preocupava o fato dos católicos terem de levar seus filhos para estudar num colégio protestante e, assim, o pároco de Sant’Ana e o bispo de Mariana convidam o monsenhor Domingos Pinheiro para que, junto das Irmãs Auxiliares de Nossa Senhora da Piedade, fundassem em 1900 o Colégio Nossa Senhora de Lourdes. O prédio da instituição custou trinta contos de réis, conseguidos através de doações feitas pelos habitantes da cidade.

O Grupo Escolar de Firmino Costa

Em 1907 o antigo prédio construído pela Associação Propagadora da Instrução foi doado ao governo de Minas Gerais para a instalação do terceiro Grupo Escolar do Estado. Para sua direção, foi convidado o famoso educador Firmino Costa, que também escrevia o excelente jornal Vida Escolar, do qual tiramos do exemplar n. 18, de janeiro de 1908, o seguinte comentário:

São apenas transcorridos oito meses que se instalou o Grupo Escolar desta cidade e já aparecem em plena evidência os resultados brilhantes da reforma do ensino.

Até agora o menino, dado como “pronto” na escola pública, pouco excedia nos seus conhecimentos ao saber assinar o nome, em letra garranchosa, de sorte a poder qualificar-se eleitor. Tirando isso quase mais nada: cacarejar uma leitura, escrever ao lojista um bilhete ou uma informação ao doutor era tarefa sempre difícil.

Agora um pirralho do Grupo conversa em sujeito e predicado, faz cálculos mentais e fala em aritmética; não desconhece a geografia e a história de sua terra e – coisa de admira! – entra pelas ciências físicas e naturais, desvendando os rudimentos delas.

Um desses petizes já me falou em Colombo, Anchieta e outros da história pátria com o mesmo desembaraço com que se ufanava de contar, olhinhos vivos e rostinho rosado, que uma planta tem tantas partes, que uma flor tem sépalas e pétalas, estames e pistilo. Tudo isso em oito meses!

Os professores devem estar contentes com os resultados de seus esforços; os frutos colhidos pagam que farte a energia despendida e aí hão de ficar como elemento de prova da excelência do novo método aos espíritos duvidosos e ramerraneiros irredutíveis.

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CENSO ESCOLAR DE 1907

Total de alunos matriculados na cidade: 727 (405 meninos, 322 meninas).

408 alunos no Grupo Escolar;
172 alunos no Instituto Evangélico;
71 alunos no Colégio Lavrense;
62 alunos no Colégio N. Sr.ª de Lourdes;
14 alunos nas aulas da Irmã Octavia.

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Fonte: Vida Escolar, n. 3, jun. 1907.
Internet: www.museu.ufla.br

"Acrópole" na Mídia

O retorno do jornal “Acrópole” em sua quarta fase, desde outubro de 2010, tem recebido boa acolhida de nossos conterrâneos lavrenses.

No começo do ano, o jornalista Marco Aurélio Bissoli fez publicar uma notícia na Tribuna de Lavras (n. 2.755, 29 jan. 2011). Já em 14 de março foi ao ar uma bela reportagem de Lisa Fávaro e Jayme Rodrigo da TV Universitária, que também contou com participação do pró-reitor de Extensão e Cultura da UFLA, prof. Magno Antônio Patto Ramalho. Também deram seu depoimento os senhores Eugênio Pacelle de Oliveira e Áureo Rufini Filho, que trabalharam junto de Bi Moreira na editoração gráfica do periódico quando este era impresso nas gráficas da Tribuna de Lavras.
 
O site http://historiadelavras.blogspot.com também é destaque, pois nestes últimos seis meses já recebeu cerca de oitocentas visitas.

Video:

Palestras sobre História de Lavras

A convite da professora Marina Ferreira Ribeiro, nos dias 24 e 25 de março foram realizadas duas palestras sobre a História de Lavras, como forma de enriquecimento nas aulas de História do 6.º ano do Instituto Presbiteriano Gammon e do NDE/UFLA.

Os alunos puderam conhecer mais sobre o passado de nossa cidade e ficaram particularmente entusiasmados com as diversas fotos antigas exibidas. Foi discutido como Lavras foi fundada e como ela mudou nestes últimos cem anos. Posteriormente os estudantes fizeram um relatório sobre o que aprenderam.

À professora Marina e aos alunos, meus agradecimentos pelo convite e também pela oportunidade de matar a saudade da escola onde estudei entre 1997 e 2000 e rever alguns de meus antigos professores.

Confira aqui as fotos.