sábado, 19 de agosto de 2017

Breve histórico econômico de Lavras

A história de Lavras, como seu próprio nome alude, começou na época da “corrida do ouro” vista em Minas Gerais no princípio do Século XVIII. Os primeiros moradores eram bandeirantes paulistas, que se estabeleceram por volta de 1720 e logo dariam início às minerações e ao cultivo da terra. O ouro, em verdade, não era tão abundante como visto em outras localidades de Minas Gerais, e pelo menos até o início do Século XIX havia ainda algumas explorações aurificas na lavra da “Grandeza”, na atual estrada do Madeira, conforme comentado por von Eschwege (1814).

À época da chegada da Família Real portuguesa no Brasil, em 1808, a produção agrícola tomou o lugar da principal força da economia mineira. Diziam os exploradores Spix e Martius (1824) que, entre as fendas das montanhas e dos vales, muitas fazendas estavam dispersas, que produziam os suprimentos necessários de milho, mandioca, feijão, laranjas, tabaco, e igualmente uma pequena quantidade de cana-de-açúcar e, sobretudo, algodão – produto este em franca expansão desde a invenção dos teares mecânicos durante a Revolução Industrial; queijo e gado havia em abundância, suínos, mulas e, juntamente com os rios cheios de peixe, proporcionam-lhes suficiência dos alimentos.


sábado, 29 de julho de 2017

Primeiras Cervejas vendidas em Lavras

No último final de semana ocorreu o excelente "I Festival de Cultura e cervejas artesanais de Lavras - Cult Beer", evento gratuito criado para unir gastronomia e cervejas artesanais a atividades culturais como música, teatro, exposições, manifestações artísticas e oficinas, totalizando 22 atrações na Praça Dr. Augusto Silva.

Ficamos curiosos para descobrir um pouco sobre a história da cerveja em Lavras, que é bem antiga. De fato, até o Século XIX a cachaça, o vinho e alguns licores eram as bebidas alcoólicas mais apreciadas por essas terras, quando na década de 1880 o hábito de tomar cerveja começou a se generalizar. O primeiro cervejeiro lavrense provavelmente foi José Ernesto Coelho, filho de Francisco Joaquim Coelho, o qual produzia o vinho Paraguassú, que recebeu medalha de ouro na Exposição Mineira de 1870. José Ernesto tinha em 1881 fábricas de cerveja em Lavras e em São João del-Rei.

sábado, 15 de julho de 2017

A Caridade (Augusto Silva)

O dr. Augusto Silva, que hoje empresta seu nome à praça central e a um Centro Espírita na cidade, é nas palavras de Firmino COSTA [1908, n. 17] “a maior intelectualidade que Lavras tem produzido”. Foi médico, escritor e Agente Executivo (prefeito) desta cidade entre 1893 e 1894. Alma caridosa, assim escreveu sobre esta virtude:

Qual flor que expande seus aromas, descuidosa dos que os aspiram, assim a caridade espalha benefícios e consolações sem lhe dar de saber quem os recebe; também semelha o córrego que refresca e alenta as ervas da ribeira, quer sejam boas ou más, e vai serpeando sem voltar para colher o prêmio de seus benefícios. Não há muitos que compreendam a caridade, ai! Não! Dar e esquecer é altíssima virtude, que sobre excede quantas possam enobrecer o homem.

Segue outro poema póstumo de Augusto Silva, publicado em O Município em 17 de maio de 1914.

sábado, 24 de junho de 2017

História do Aeroclube de Lavras

Devido a IIª Guerra Mundial, a aviação começava a ser tratada com mais interesse, por isso leis de incentivos para criação de Aeroclubes e construção de novos campos de pousos eram criadas. Com estas facilidades, no dia 1 de novembro de 1940, com a iniciativa de Santos Ferreira Cavalcante era fundado o Aero Clube de Lavras.

Porém, somente em 1942 sob a iniciativa de um industrial português de grande visão empresarial chamado Antônio Vaz Monteiro foi doado ao Aeroclube o terreno para construção do Campo de Aviação e do Hangar. Após tal fato, foi realizada uma campanha na cidade de Lavras para arrecadar fundos para a construção das obras do novo aeroporto intitulada de “Campanha da Boa Vontade – Tudo em Prol da Aviação”.

sábado, 17 de junho de 2017

Biblioteca da UFLA

É interessante como o início da universidade está ligado ao mesmo tempo ao início do museu e da biblioteca. Nos remetendo à antiguidade, encontramos os latinos que denominavam Museum como o gabinete ou a sala de trabalho dos homens de letras e ciências. Ptolomeu I, soberano do Egito, deu esse nome à parte do seu palácio, em Alexandria, onde se reuniam os sábios e filósofos mais célebres do seu tempo para se entregarem ao estudo das letras e das ciências, tendo a sua disposição uma biblioteca que se tornou famosa na antiguidade (Barroso, 1951). 

Campos ([196-]), em seus estudos, nos mostra que o museu apareceu em Alexandria, na famosa biblioteca organizada pelo genial matemático Erastótenes, ao tempo dos Ptolomeus. Uma das alas da biblioteca, onde se reuniam os sábios, filósofos e naturalistas para ali debater, num encontro que poderíamos apelidar universitário, os temas de seus estudos. Não se tratava mais do “templo das musas”, da mitologia grega. No palácio de Alexandre, o museu se transformara agora em “templo da ciência” (Campos [196-]) .